Hoje decidimos alterar algumas coisas no modo de funcionamento do apoio aos locais… após uma breve conversa relembrámos que o objectivo é os cuidados que prestamos serem continuados pela população local, assim o essencial é também a formação das enfermeiras do acampamento que nos dão apoio!
Deste modo hoje fico sozinho a fazer consultas e a Dra. Fátima vai ficar a ensinar os gestos básicos às mesmas… medir tensões arteriais, ver a temperatura, pesar e o motivo de vinda ao médico isto permite-nos de algum modo fazer uma triagem por gravidade, muito rudimentar, mas é o que se pode!
Começamos o trabalho nos mesmos locais que ontem, tudo corre bem, ainda preciso de ajuda para algumas dúvidas mas já me sinto mais solto. Até o meu Francês já flui melhor… se é que isso é possível!
Vi 50 pessoas neste dia. Nenhuma com gravidade especial! Mas ficaram-me na memória 3 irmãs, as últimas que vi. A mais velha de 12 anos só vinha a acompanhar as mais novas de 6 e 3 anos respectivamente. Lindas, com óptima condição física, muito bem arranjadas e que me disseram de um modo muito doce… “Fiévre” (febre… para quem como eu não sabia). Sorri. Afinal é principalmente isto que estamos a fazer… um pouco de atenção e carinho! Lá lhes tirei a temperatura e auscultei. Tudo normal. Dei-lhes apenas suplementos vitamínicos e “albendazol”, um remédio usado para desparasitar, sem grandes efeitos secundários. Sorri disse que estava tudo bem, mas que se repetissem a febre para voltarem. Sorriram contentes e saíram e deixaram-me a pensar que realmente a alma é muitas vezes mais importante que o físico!
A meio do dia as nossas chefes de delegação vieram buscar o João, o médico. “Há a possibilidade de ires ainda hoje, mas tem de ser agora!” Os olhos dele brilharam e disse sem pestanejar que sim.
Já não vi o que ele viu, já não sofri o que ele sofreu, apenas sei que para nós já tudo está mais fácil, seguro e cómodo! Pensei que se fosse comigo também quereria partir. Despedimo-nos com um abraço, sem tristeza. Tudo correu bem para ele. Vai ficar 2 dias na Républica Dominicana a descansar antes de partir no dia 12 de regresso à Pátria. “Pelo que ouvi… bem mereces Guerreiro!”
Cheguámos ao Campo. Não houve reunião! As chefes saíram para uma com os responsáveis do “Cluster”.
Aproveitei e fui dar uns “toques” na bola com o “Vital” o local que nos ajuda nas nossas tarefas aqui no acampamento! 2 minutos depois chamaram-me outros para jogar Basket! 3 para 3…. Que saudades! O jogo era até aos 30! Ganhámos… exausto e a pingar ouvi-os desafiarem-me “Não queres outro?”
Aquilo soou-me a “Não és capaz Manuel?” uiiiiiiiiiiiii… Claro que joguei! E perdi com a sensação de dever cumprido! Banho e jantar agora!
Quem cozinhou com mestria foi a Conceição! Faz-me lembrar a minha querida Maria do Porto! Carinhosa e bem disposta como ela! Que abençoado e feliz fui enquanto a tive!
Fui rever e mostrar algumas fotos à Maria. Muitas da Índia, da minha família e depois fiquei sozinho a rever a melhor festa dos últimos anos… A Festa da Máscaras em Avis, em casa da Marta Guevara. Mickey e companhia, tenho saudades vossas. Fazem-me falta apesar de tudo.
A Dra. Fátima está pensativa, nostálgica talvez… Vai-se embora amanhã!
Vou para a minha nova cama. Fiquei com o lugar do João na tenda maior, numa cama desmontável, muito mais confortável que o chão. O “Public Enemies” acompanha-me nos meus últimos momentos e pensamentos… ou os seus primeiros 30 minutos! (Obrigado Ricardo e Sílvia… :D)
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
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Manel...
ResponderEliminarSabes que se precisares de mais força, eu o Luis e o Artur guradamos num esconderijo mais fotos do Antunes vestido de Mickey... É so pedires!!!
No que diz respeito ao teu pais tudo na mesma... Sporting a ser humilhado e Porto a continuar a roubar!!!
Abraço de quem tem muito orgulho em ti...
Porthos